03 setembro 2005

Deco Magia

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Portugal goleou o Luxemburgo por 6-0, no Estádio do Algarve, reservando uma tranquila viagem a Moscovo com o apuramento para o Mundial-2006 quase à vista. Foi um jogo com uma história bonita, recheado de capítulos com finais felizes. A começar pela enorme injecção de confiança que Ricardo recebeu de um estádio quase cheio, prosseguindo com um Figo decisivo nas bolas paradas, um Deco mágico, dois centrais goleadores, a estreia de João Moutinho e o reencontro de Pauleta com os golos. Apenas um capítulo feio dedicado ao árbitro holandês Dick van Egmond que, mesmo com as muitas asneiras que acumulou, não conseguiu estragar uma noite inolvidável para os quase trinta mil espectadores que assistiram à partida.

Scolari não inventou e apresentou o onze mais provável, com todos os jogadores distribuídos no habitual 4x2x3x1. O Luxemburgo apresentou-se num 4x4x2 que, por efeito harmónico, foi mais um 8x2 enquanto durou o 0-0. Rapidamente se percebeu que Costinha e Maniche, mais recuados, eram puro desperdício e Scolari não se cansou de pedir a Maniche que subisse no terreno para o ataque ao autocarro do Grão-Ducado. Uma questão que só ficou resolvida depois do intervalo com a entrada de João Moutinho, no que foi mais um capítulo bonito que este jogo nos contou. O jovem médio do Sporting segue, assim, as pisadas de Eusébio e Luís Figo que também se estrearam na Selecção em jogos com o Luxemburgo, embora os consagrados tenham sido menos felizes nos respectivos resultados.

O autocarro luxemburguês resistiu 23 minutos que não tiveram nada de desespero, mas de puro espectáculo, com Ronaldo a humilhar todos os que lhe surgiam pela frente, Deco a fazer magia com os dois pés e o primeiro erro clamoroso do senhor Egmond, quando Pace fez uma entrada muito pouco pacífica, por trás, sobre Deco e o juiz holandês fez orelhas moucas às directivas da FIFA, deixando o cartão vermelho no bolso. O segundo erro gritante do senhor de amarelo aconteceria pouco depois, novamente com Deco como protagonista, derrubado de forma escandalosa na área por Leweck. O cartão amarelo mostrado ao luso-brasileiro foi ofensivo para uma equipa que estava a oferecer um espectáculo de luxo. Tudo ficou esquecido em dois lances de bola parada de Figo, num livre e num canto, concluídos, de cabeça, pelos centrais Jorge Andrade e Ricardo Carvalho.

Tudo mais tranquilo com apenas um senão. Até então Pauleta tinha-se revelado muito perdulário, desperdiçando oportunidades flagrantes criadas por Deco e Ronaldo. O ciclone açoriano já revelava alguns sinais de impaciência, quando Jorge Andrade (grande jogo), com uma excelente abertura, em forma de acalmante, colocou-lhe a bola à disposição para um bonito chapéu a Oberweis. A abrir a segunda parte, foi a vez de Moutinho contribuir para a felicidade do número 9, ganhando um ressalto que permitiu ao avançado atirar novamente, com um pontapé de raiva, para as redes. Mais um capítulo com final feliz.

A vencer por 4-0, Scolari manteve a sequência do ensaio geral que tinha feito na véspera fazendo entrar Simão para a esquerda e, mais tarde, Postiga para o lugar de Deco, evoluindo a equipa para um 4x4x2 que manteve sempre o jogo nos arredores da área luxemburguesa. Simão, de livre directo e com um pontapé da esquerda, fechou a contagem em 6-0.

Portugal alinhou com:

Ricardo, Paulo Ferreira, Jorge Andrade, Ricardo Carvalho, Nuno Valente, Costinha, Maniche, Figo, Deco, Cristiano Ronaldo e Pauleta.
Jogaram ainda João Moutinho, Simão Sabrosa e Helder Postiga.

Boa presença de publico com a Brigada Lusitana em bom plano e a estrear a sua nova faixa com 20m por 1.60m.

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