07 setembro 2005

A três pontos da Alemanha.

A Selecção portuguesa ficou mais perto da fase final do Mundial, ao empatar sem golos com a Rússia, em Moscovo, esta tarde. Com este resultado, a Selecção Nacional só precisa de somar três pontos nos dois jogos em casa, diante do Liechtenstein e da Letónia, dentro de um mês. Na prática, a festa da qualificação fica marcada para Aveiro, no dia 8 de Outubro.

Num ambiente marcado pelo luto de Cristiano Ronaldo por seu pai (fez questão de jogar e foi igual a si próprio), pela polémica criada por Maniche e pela necessidade russa de lavar a honra depois dos impensáveis 7-1 de Alvalade, o início de jogo foi complicado. Ricardo evidenciou-se por duas vezes, negando o golo a Kerzhakov aos 7 e aos 18 e a segunda defesa, sensacional, pôs fim ao período de instabilidade que a Selecção viveu no início. Depois de Izmailov e Biyaletdinov terem posto a cabeça em água à defesa lusa, o meio-campo começou a assentar jogo, com Deco a puxar os cordelinhos e Ronaldo a assumir os desequilíbrios.

A irreverência do número 17, mesmo em condições extremamente difíceis, deu os seus frutos: a Rússia perdeu o comando do jogo e começou a abusar das faltas. Smertin e Aldonin eram os mais desorientados e depois de algumas entradas duras sobre Roonaldo que passaram sem castigo, Smertin viu o segundo amarelo numa entrada disparatada sobre Costinha, a meio-campo (43 m). A partir daqui, a Rússia perdia todas as possibilidades de voltar a encostar a selecção portuguesa às cordas. Ao intervalo a opção que se colocava aos homens de Scolari era a de gerir a vantagem numérica e a posse de bola, diante de um adversário enfraquecido, ou arriscar um pouco mais, tentando resolver o jogo.

A escolha do primeiro caminho foi nítida: até final, Portugal teve quase sempre a bola, e as iniciativas perigosas, mas deixou sempre a sensação de não estar a jogar nos limites. Teria valido a pena arriscar um pouco mais? Fica a dúvida, tanto mais que com um Pauleta inspirado na frente talvez o domínio pudesse ter tido outra expressão na área russa. Na prática, Portugal teve a preocupação de anular os riscos para o moral de uma eventual derrota, trocando a possibilidade de ficar a um empate do apuramento pela certeza de precisar apenas de uma vitória.

É justo salientar que foi a Selecção a estar sempre mais perto da vitória. O relvado, escorregadio, cortou pela raiz algumas iniciativas de Deco e Ronaldo que mereciam melhor sorte. As entradas de Simão, Postiga e João Moutinho em nada tiraram consistência à equipa, pelo contrário: depois de um único susto aos 76 minutos (remate de Kerzhakov ao lado, na única desatenção da defesa na segunda parte) foi um tiraço do miúdo, a quatro minutos do fim, a obrigar Akinfeev à defesa mais difícil em todo o jogo. Não se repetia o filme da vitória dos sub-21, 24 horas antes.

Com o jogo sempre controlado, à excepção dos 20 minutos iniciais, Portugal tirou o que queria deste jogo, e adiou a festa por um mês. Um preço pequeno a pagar por tanta segurança e superioridade: que contraste com as desilusões ou as qualificações aflitas e sofredoras de um passado não tão distante como isso...

Portugal alinhou com: Ricardo, Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho, Jorge Andrade, Nuno Valente, Costinha, Maniche, Figo, Cristiano Ronaldo e Pauleta.
Jogaram ainda Helder Postiga, Simão Sabrosa e João Moutinho.

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