

Perante um estádio cheio e com um hambiente fantástico o FC Porto quis jogar no estilo do adversário, deixou-se levar para campo inimigo e acabou por tropeçar numa série de armadilhas que o derrubaram por completo. Com muita infelicidade, porque não merecia perder. Pelo caminho quase deixou mudos 50 mil escoceses que parecem ter mais voz que um cantor de ópera.
O futebol dos azuis e brancos foi prometedor, aliás. Os jogadores jogavam com os olhos na baliza adversária, pareciam ter fogo nas pernas, naquilo estilo muito britânico de estar, mas faziam-no sem deixar que os Rangers se aproximassem da baliza de Vítor Baía. Pelo meio ainda criavam perigo com alguma cadência. Tiveram, por exemplo, duas boas ocasiões não aproveitadas por Ricardo Costa e Alan nos minutos iniciais.
O pior chegou depois. O estilo diabólico, a pressão constante, a força imprimida ao futebol da equipa não aguentou eternamente e aos poucos o F.C. Porto foi perdendo fulgor. Co Adriaanse guardara essa surpresa com a colocação de Pepe a lateral-direito - também meteu Alan no lugar de Lisandro mas neste caso foi apenas troca por troca - com a intenção de ajudar os centrais na marcação a dois avançados (Prso e Nacho Novo) mas McLeish deixou o espanhol no banco e a estratégia saiu desnecessária. Mesmo assim não foi por aí que o F.C. Porto perdeu. Pepe adaptou-se bem à função e tratou de apoiar o ataque como podia.
Até porque era de ataque que o futebol portista vivia. Mais rápidos, mais fortes e mais inteligentes, os jogadores do F.C. Porto ganhavam constantemente as segundas bolas e com isso ganhavam também o domínio da partida. Jogavam mais e melhor, mas continuavam a caminhar na corda bamba. Jogar contra uma formação britânica com aquela velocidade e de uma forma tão aberta pode ser uma ratoeira e os portistas acabaram por cair nas armadilhas que ditaram esta derrota. Primeiro numa jogada rápida com um centro para a área que apanhou os centrais em contra-pé, depois em mais um lance fortuito na sequência de um centro que encontrou Prso solto ao segundo poste e em cima da linha de golo.
Logo a seguir aos golos adversários é verdade que o F.C. Porto perdeu ligeiramente a bússola que o norteava, mas foi coisa pouca. No essencial manteve o domínio do jogo. Na segunda parte as ocasiões de golo chegaram a suceder-se a um ritmo admirável. Lucho, Diego, Sokota, Hugo Almeida, todos eles ficaram a uma unha negra de trazer justiça ao futebol da equipa. Acabou mesmo por ser Pepe a alimentar a esperança. Mas esta noite não estava destinada a ser feliz. Não o foi. Sokota lesionou-se e deixou a equipa reduzida a dez nos últimos minutos, o Rangers voltou a ser bafejado pela fortuna e fez mais um golo com pouco mérito. Navegar em águas estranhas tem destas coisas e o F.C. Porto, apesar de todo o estoicismo, acabou por se afundar. Melhores marés virão.
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