03 agosto 2005

Naval 1.º de Maio - A curiosa história da Marco Aurélio

Os jogadores de futebol são vistos, aos olhos de muitos, como pessoas de vida privilegiada. No entanto, há aqueles que antes de chegarem ao patamar mais alto tiveram, como qualquer comum mortal, de fazer pela vida, trabalhando de manhã à noite. Marco Aurélio, defesa-central da Naval, tem uma curiosa história para contar.
O agora futebolista nasceu em Dijon (França), mas quando tinha quatro anos a família mudou-se para a Suíça. Os pais eram emigrantes e procuravam, longe da pátria, melhor solução para o futuro. Aurélio, agora com 22 anos, viveu em Lausanne até aos 19 e, apesar do afastamento do país, o português sai-lhe fluente, embora o sotaque não permita esconder as origens. O jogador da Naval tem orgulho no passado e de tudo o que viveu antes de se tornar futebolista profissional.
Com 16 anos começou a trabalhar numa oficina, depois de tirar um curso de pintor de automóveis. Durante três anos, Aurélio dividiu o dia entre o trabalho e os treinos no Lausanne, clube onde percorreu todas as camadas jovens. “No início, não era profissional, treinava ao fim do dia e trabalhava como qualquer pessoa”, conta, acrescentando que o serviço começava às 7 horas e acabava às 15 “para começar a treinar às 16”. A influência familiar funcionou como alavanca na escolha do curso de pintor de automóveis. O avô trabalhava numa oficina e “costumava levar para lá o miúdo”, que, mais tarde, se interessou pela arte. “Gosto muito de carros e era aquela coisa de ver chegar o carro à oficina todo partido e sair de lá direitinho e em ordem que me entusiasmava”, sublinhou, convicto, Aurélio, que não gosta “de velocidades, mas sim da beleza dos automóveis”.
O primeiro contrato como profissional foi rubricado aos 18 anos e a pintura ficou para segundo plano. Sem descartar um futuro investimento no ramo automóvel, o defesa da Naval decidiu apostar tudo no futebol ao assinar contrato por três épocas com o clube da Figueira da Foz. Na pri-meira temporada, foi emprestado ao Rebordosa, da 3.ª divisão, tendo regressado no ano passado à Naval.
A cumprir o segundo ano com o emblema figueirense ao peito, Aurélio, que diz ser “um defesa-central rápido e forte na marcação”, pretende que a nova época seja mais positiva que a anterior em termos individuais. “Quero ser titular e jogar mais tempo”, assumiu, garantindo que a equipa “tem potencial para se manter na SuperLiga”.

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