Um alegado hooligan inglês, condenado a dois anos de prisão na sequência dos violentos confrontos entre adeptos ingleses e polícias portugueses em Albufeira (Algarve), em Junho de 2004 - os incidentes mais graves registados durante o Europeu de futebol -, viu um juiz britânico dar razão ao recurso que interpôs e decidir que o julgamento foi injusto.Garry Mann, 47 anos, bombeiro em Faversham (Kent), adepto do Birmingham City, contestou a condenação, por distúrbios à ordem pública, logo que chegou a Inglaterra, há mais de um ano, extraditado pelas autoridades portuguesas. Mann afirmava-se inocente, alegando que não estava no local dos incidentes, mas num bar, na companhia de um amigo e do irmão, e que foi preso quando regressa ao local onde estava alojado. O recurso apresentado baseava-se no facto de Mann não ter tido tempo para preparar a defesa, o que viola o artigo n.º 6 da Convenção Europeia dos Direitos Humanos. Recorde-se que, no âmbito do Euro 2004, o Governo português criou legislação especial para julgar rapidamente casos de hooliganismo durante o torneio. Mann foi julgado e condenado em três dias, num caso que envolveu uma centena de adeptos.
O juiz Stephen Day, do Tribunal de Uxbridge, considerou que o caso foi julgado de forma demasiado rápida para que se pudesse ter feito justiça. O magistrado deu razão à defesa, ao apontar "infracções significativas" ao artigo n.º 6 da Convenção Europeia dos Direitos Humanos.
A decisão é um revés para a Polícia inglesa, que, com base na condenação em Portugal, pretendia proibir Mann de se deslocar aos estádios, impedindo-o ainda de viajar para assistir a jogos no estrangeiro. A posição do juiz Stephen Day não afecta a decisão do tribunal de Albufeira, da qual Mann deverá apresentar, em breve, também recurso.
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