06 julho 2005

Entrevista - Furacões Sadinos

O Claques de Portugal realizou mais uma entrevista a uma claque portuguesa.
Desta vez, destacamos a Associação Ultras Furacões Sadinos, claque de apoio ao Vitória de Setubal, que se destacou na última temporada, que culminou com a vitória na Taça de Portugal.
Desde já o nosso agradecimento ao Nuno Pereira (membro dos FS) que nos concedeu esta entrevista e votos de sucesso para a Associação Ultras Furacões Sadinos.


C.P.: - Qual o ano de fundação da claque?

F.S.: - A claque foi fundada no dia 20 de Abril de 2001

C.P.: - Como surgiram os FS?

F.S.: - Surgiram através de um grupo de amigos (na altura ainda não os conhecia) que se reuniram e decidiram organizar um grupo ultra de modo a dar mais apoio e força ao nosso grande clube que na altura não tinha uma claque digna de seu nome até porque o nosso espirito e mentalidade era muito diferente do ponto de vista do VIII Exército.

C.P.: - Quando a claque foi fundanda o Vitória já tinha uma claque (VIII Exército), foi complicado organizar um novo grupo?

F.S.: - É sempre complicado organizar um grupo do nada e quando existe outra claque com a historia que tem na cidade principalmente, é muito complicado. Mas hoje em dia os "ultras" querem é pertencer a grupos dignos desse espirito, no entanto em Setúbal é complicado e para nós mais complicado é porque, nunca tivemos apoio da Direcção nem de outras entidades alheias (patrocinios).

C.P.: - Os elementos que fundaram a claque, tinham pertencido ao VIII Exército?

F.S.: - Cerca de 3 elementos costumavam acompanhar o Vitória com o VIII Exército, não como elementos inscritos na claque mas sim como meros apoiantes ditos "casuais".

C.P.: - Quantos elementos tinha aquando da sua fundação? E agora?

F.S.: - Na altura da fundação eram cerca de 25 elementos. Neste momentos já estamos a atingir a meta dos 100. Mais do que isso é complicado, até porque no Vitória as pessoas que ligam mais a claques ou estão nos Furacões Sadinos ou estão no VIII Exército.

C.P.: - Como estão organizados?Têm núcleos?

F.S.: - Temos uma direcção divida por vários corpos, somos legalizados logo constituidos como Associção Ultras Furacões Sadinos.
Tinhamos núcleos muito bons em tempos, cerca de 2 anos, mas com a queda do clube na 2ª divisão alguns desses núcleos foram-se dispersando e resolvemos acabar com os núcleos.
Ainda assim continuamos a ter presenças de pessoas da Moita, de Palmela, do Pinhal Novo, Amora e recentemente conseguimos a presença de algumas pessoas do Norte em jogos na zona norte ou mesmo em Setúbal.

C.P.: - Fala-se muito em juventude nas claques, qual é a media de idades na vossa claque?

F.S.: - A nossa média situa-se nos 23, 24 anos, no inicio era de 17, 18 mas agora já temos pessoas mais experientes e com os anos a faixa de idades vai aumentando, logicamente.

C.P.: - Como é a vossa relação com o VIII Exército?

F.S.: - Já foi mais tremida mas actualmente mantemos boas relação com o VIII Exército onde tenho alguns amigos na claque.

C.P.: - E com a direcção do clube? São apoiados pela direcção do VItória?

F.S.: - Somos apoiados em termos de entradas (50 a cada claque) de resto só há a realçar o espaço que o clube nos concedeu.

C.P.: - E com os jogadores?

F.S.: - Temos boas relações até porque eles principalmente sentem-se apoiados e merecem todo o nosso reconhecimento.

C.P.: - Quais são as vossas amizades?

F.S.: - Temos grandes amizades e convivios com a Frente Leiria, Yellow Fury, Espiríto Azul, Máfia Vermelha, e também nos damos bem com alguns elementos dos Tuff Boys. De resto, fora de Portugal, temos uma amizade com a Mancha Verde.

C.P.: - Têm alguma rivalidade?

F.S.: - Não. Tudo em familia (falamos por nós)

C.P.: - Qual foi a vossa maior e melhor deslocação?

F.S.: - A que mais me marcou foi à Naval quando jogávamos na liga de honra.
Fizemos um cortejo de 20 km até ao estádio, mas o que mais me marcou foi ver as bancadas cobertas por quase 5 mil vitorianos sempre a incentivar a equipa, este é o verdadeiro Vitória e que nos deixa orgulhosos de apoiar este clube.

C.P.: - Esta época foi muito boa para o vitória, culminando com a vitória na Taça de Portugal frente ao novo campeão nacional. Sendo uma equipa que não está habituada a vencer, como foi conquistar a Taça?

F.S.: - Uma correcção, só já não fomos campeões nacionais porque o dito sistema esteve sempre presente.
Mas voltando ao assunto foi muito bom tanto para a cidade como para o clube vencer esta prova para que as pessoas comecem a dar mais importância ao clube, porque somos ambiciosos e queremos ir mais além.

C.P.: - Como avaliam o vosso apoio na final da Taça frente a claques como os DV e NN?

F.S.: - Nenhuma das nossas claques está de longe capaz de competir com grupos como os do Benfica mas isso não nos impede de fazer o nosso trabalho que é apoiar até mais não.

C.P.: - Depois desta vitória na Taça de Portugal o que esperam no futuro em relação ao clube?

F.S.: - Que este país não olhe sempre para os mesmos porque o Vitória também é um grande, e esta época provou isso mesmo.

C.P.: - E em relação aos FS? Esperam aumentar o numero de associados?

F.S.: - Sim, apesar de ser dificil, já lá vão 4 anos e o número de elementos é praticamente o mesmo, umas vezes cresce num ápice, noutras simplesmente hà elementos que desaparecem do nada.

C.P.: - Quanto a material da claque, estão a pensar fazer mais material?

F.S.: - Estamos a trabalhar num projecto para novo material mas é complicado porque de finanças, está escasso (risos). Mas tudo o que temos veio do nosso bolso, e por isso se queremos uma coisa, vamos até ao fim.

C.P.: - E coreografias? Na próxima época podemos esperar coreografias para os lados do Bonfim?

F.S.: - Certamente que sim, apesar de o nosso forte não ser os cofres, fazemos sempre os possiveis para colorir a nossa curva e mostar aos jogadores que estamos confiantes e que não jogam "sozinhos".

C.P.: - Estamos a começar uma nova época, o que esperam para esta nova época?

F.S.: - Uma maior ambição, ou seja, evoluirmos em termos de mentalidade, número e mesmo em termos de meterial, eventos, etc...Este ano já tivemos participação nas Marchas Populares a representar o Vitória. Os eventos parece que não, mas dão um grande impacto à claque.

C.P.: - Para ti qual o grupo que mais contribui para o desenvolvimento ultra em Portugal?

F.S.: - A Juveleo nos ditos grandes, e a Mancha Negra dos ditos pequenos.

C.P.: - Achas que existe falta de coerência e mentalidade nas claques Portuguesas?

F.S.: - Na minha opinião há claques ditas "grandes" que deveriam mostrar maior mentalidade independentemente se ganham ou perdem, joguem bem ou joguem mal.

C.P.: - Para ti o que é ser ultra?

F.S.: - É sentir a força do clube em nós, é dar tudo o que temos e o que não temos em prol de um ideal, é estar sempre presente e nunca baixar os braços, é ter ideias para melhorar o grupo, é sobretudo agir, ser ultra não é para quem quer, é para quem pode.

C.P.: - O que pensas do "Claques de Portugal"?

F.S.: - Faz falta ao panorama nacional para divulgar cada vez mais o mundo ultra em Portugal, até porque muitas pessoas continuam a pensar que os grupos apenas servem para a violencia e a delinquencia.

C.P.: - Ultima Mensagem!

F.S.: - Espero que todos os ultras se unam no seu grupo porque o mais importante tem que ser o clube e só o clube, a claque vem por acréscimo.
Sem estar a desfazer o nosso ideal, nunca percam a mentalidade, porque ela é tudo.


Destaques:

"somos legalizados logo constituidos como a Associção Ultras Furacões Sadinos"
"só já não fomos campeões nacionais porque o dito sistema esteve sempre presente"
"ser ultra não é para quem quer, é para quem pode"
"nunca percam a mentalidade, porque ela é tudo"


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